Mestre da afinação
Das mãos do luthier paulistano Murilo Ferreira saem violões
e guitarras que brilham nos palcos
Por Giovana Romani – Revista Veja São Paulo – 15/11/2008

Criador e criaturas:
Ferreira, com um de seus instrumentos (à dir.)
e o violão que Tom Zé (à esq.) pediu que ele restaurasse.
Fotos André Conti e Leo Feltran
Na próxima sexta (21), o cantor Tom Zé traz seu novo show, Estudando a Bossa, ao Auditório Ibirapuera. Um de seus números foi ensaiado com dose extra de afinco. Enquanto interpreta a canção O Céu Desabou, o músico desmonta seu violão, pedaço por pedaço. Transforma as tarraxas em brincos e o tampo em percussão. “Todos na platéia se emocionam com a cena”, conta. A mirabolante idéia virou realidade graças ao trabalho do paulistano Murilo Ferreira, de 42 anos. “Aceitei o desafio na hora”, diz ele, com a confiança que costuma vir de muitos anos de experiência. Ferreira é luthier, aquele profissional que constrói instrumentos de corda artesanalmente. Seu avô, Ulisses Ferreira, começou a trabalhar na área em 1921, na extinta Rei dos Violões. Depois, tornou-se funcionário da tradicional fábrica Giannini, de onde saiu, em 1952, para montar seu próprio negócio – a Atlas. Localizada no Bom Retiro, a empresa chegou a ter sessenta funcionários e ganhou destaque nos jornais da época. Como manda a tradição, Ulisses passou a técnica ao filho, Guaracy, que, por sua vez, fez o mesmo com Murilo. Há quarenta anos a oficina da família fica na Rua Turiaçu, em Perdizes.
Entre os clientes fiéis, além de Tom Zé, estão Roger, do Ultraje a rigor, Supla e os garotos das bandas NX Zero e Fresno. “Sabe como é, a gente vai ficando famoso no meio artístico”, afirma Murilo, que não economiza em marketing. Deu, por exemplo, uma guitarra de presente a An-dreas Kisser, do Sepultura, um dos maiores solistas do país. Inspirado num modelo usado por Brian May, do Queen, o instrumento levou oito meses para ficar pronto. Custou 7 000 reais. “Nas guitarras do Andreas só eu ponho a mão”, orgulha-se o luthier. Muitos candidatos ao estrelato batem ponto em sua oficina. Jovens com tatuagens, jeans justos e camisetas estampadas no melhor estilo rock’n’roll levam suas guitarras das marcas Fender e Gibson para o mestre consertar. Cerca de 100 instrumentos são restaurados por ele todo mês – apenas três ou quatro guitarras e violões são confeccionados por ano. Todos ganham o logotipo com a letra M dentro de uma palheta. “Quem encomenda quer uma peça artesanal, exclusiva.” Ferreira domina todo o processo, do corte da madeira à pintura. Aos poucos, tem passado seus conhecimentos ao filho, Murilinho, que aos 19 anos representa a quarta geração da família a viver em meio a violões e afins. O rapaz já faz pequenos serviços na loja e toca numa banda de metal. Sua guitarra, claro, é uma legítima Murilo Luthier.
Antes do primeiro acorde
Como se constrói uma guitarra, passo a passo
| Fotos Leo Feltran | |
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1 O pedaço de madeira de 67 centímetros de comprimento, retirado da árvore bordo, é modelado com uma faca. Daí sairá o braço da guitarra |
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2 Faz-se uma canaleta em toda a extensão do braço. Ali dentro será instalado um tensor, que estabiliza a madeira caso ela sofra alterações devido a mudanças de temperatura, por exemplo |
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3 Com uma serra de São José, o luthier modela a parte conhecida como corpo da guitarra. Nesse caso, a madeira é o cedro-rosa |
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4 Um molde retangular é utilizado para marcar o exato local em que será colocado o captador. A peça tem a função de transformar as ondas mecânicas produzidas pelas cordas em ondas elétricas |
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5 São necessárias cinco lixas de espessura diferente para alisar a superfície do instrumento. A lixa mais fina (foto) é a última |
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6 Depois de o captador ser instalado, ainda restam os ajustes finais, como a colocação das cordas e a afinação do instrumento. O processo todo demora quatro meses. Uma guitarra assim custa a partir de 5 000 reais, vinte vezes mais que um modelo sem grife |
Link para a matéria no site da Veja






6 de abril de 2009 às 12:30
Opa… Ae queria fazer um orçamento .
quanto fica pra fazer o corpo e o braço, é claro de um baixo
precision bass fender canhoto .
aguardo sua resposta.
obrigado
abraço!
16 de abril de 2009 às 17:01
orçamento : violão de 7 cordas
21 de abril de 2009 às 2:43
Quando o Tom Zé coloca o braço do violão ícone da Bossa Nova em outro ícone da Bossa o baquinho, lembro-me do Ready Mde do Marcel Duchap, vocês pensaram nêle na preparação desta performance e ou deste projeto?
márcio/ mestrando em Design, graduado e pós-graduado em violão e licênciado em música
21 de abril de 2009 às 2:45
Quando o Tom Zé coloca o braço do violão ícone da Bossa Nova em outro ícone da Bossa o baquinho, lembro-me do Ready Made do Marcel Duchap, vocês pensaram nêle na preparação desta performance e ou deste projeto?
márcio/ mestrando em Design, graduado e pós-graduado em violão e licênciado em música
29 de maio de 2009 às 22:04
procuro a muito tempo um violão fender california series malibu sce left-handed folk cutaway para canhoto
gostaria de saber se voçê fabrica esse modelo pra canhoto
aguado respostas
29 de maio de 2009 às 22:06
http://www.violaopro.com.br/revista/violaopro/produto.asp?id=717 voçê sabrica esse modelo pra canhoto sou doente por esse violão
aguado resposta
10 de agosto de 2009 às 17:47
temos trastes vilão e guitarra otima qualidade no atacado por apenas $ 6,00 por metro acima de 50 metros CL 11 97392061 ou 11 34212041 ou 11 45553774 falar com jadir email jadirana@yahoo.com.br freti por conta do comprador faça contato pelo skyp nome jadirana1
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30 de setembro de 2009 às 1:18
Opa, gostaria de saber quanto fica pra fazer uma regulagem em uma fender Squier Bullet e trocar o bt de volume.
18 de novembro de 2009 às 22:35
Olá Murilo, não sei se isso é uma mera coincidencia, mas eu tenho o nome do seu avô. Eu sou marceneiro desde os 14 anos, hoje eu tenho 38 anos, hà 4 anos eu conheci a arte da luthieria, já fiz uma guitarra conhecendo alguns conceitos sobre a arte, e concordo com você no aspecto do conhecimento da ferramenta. E quero aproveitar a oportunidade e eu gostaria de saber se existem cursos na àrea ou livros ou se você ministra este curso. Agurdo contato, abraço.
20 de junho de 2010 às 15:41
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